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Sábado, 4 de Setembro de 2010.

 
 




EMPREGO DO LASER DE BAIXA INTENSIDADE NO TRATAMENTO DA HIPERSENSIBILIDADE DENTINÁRIA
Dr. Caio Perrela de Rezende

Introdução


O desenvolvimento da tecnologia trouxe como auxiliar para o arsenal do cirurgião-dentista o laser (Light Amplication by Stimulated Emission of Radition), já amplamente utilizado em outras áreas físicas e biológicas.
Esse tipo de terapêutica é extremamente conservadora, atende os anseios da Odontologia moderna e portento é merecedora de estudos profundos e amplos.
Como toda terapia, para que possa ser bem empregada, além de se conhecer a técnica, é imprescendível conhecer a patologia. No caso, a hipersensibilidade dentinária e o paciente.
Por esse motivo, estudos relacionando o laser de baixa intensidade dentinária vem crescendo nos últimos anos.Sem dúvida, no final da década de 80, os vários trabalhos sobre o uso do laser em sensibilidade dental vislumbram o seu emprego com sucesso na prática odontológica.



Etiologia


A literatura e a experiência clínica mostram que a HSD pode se manifestar a partir de uma das seguintes condições: Quando há uma exposição da dentina cervical pela remoção do esmalte coronário ou pelo desnudamento da superfície radicular em decorrência da perda das estruturas periodontais.
Na primeira condição mencionada, a remoção do esmalte principia e evolui até a exposição da dentina, a partir da ação isolada ou integrada da abrasão, erosão ou abfração.
Na segunda condição, temos um processo que se desenvolve em duas etapas. Primeiro há a exposição radicular, que pode ser iniciada pelo excesso ou pela falta de escovação, por doenças e tratamento periodontais, por traumatismo oclusal ou ainda extrusão dental. Na etapa seguinte, pela ação da escovação ou de raspadores periodontais ( abrasão ), por exemplo, ocorre então remoção do cimento e a exposição da dentina radicular.
Em ambas as condições restritas, as lesões podem estabilizar-se ou progredir acentuadamente. Em caso de progresso, podem caminhar no sentido apical ou ainda em profundidade, no sentido axial, expondo cada vez mais a dentina. De um modo ou de outro, a evolução da perda dentinária coronária ou radicular pode ocorrer pela ação de agentes tanto abrasivos como erosivos.
Quando as lesões se estabilizam, a hipersensibilidade muitas vezes desaparecem espontaneamente. Já que as lesões cervicais não cariosas pode tornar-se cada vez mais sensíveis.
É muito importante o reconhecimento precoce desse tipo de lesão. Porém, embora elas possuam características bem peculiares, o diagnóstico clínico nem sempre é imediato. As atuais classificações e definições das lesões cervicais não são fáceis: o diagnóstico requer atenção á aparência clínica, à localização da lesão e anamnese.



Mecanismo de dessensibilização da dentina


A HSD parece surgir pela combinação de duas condições: a exposição dos túbulos dentinários e a presença de inflamação pulpar. Para seu tratamento ser eficiente, ambas condições devem ser controladas.
A Teoria da Hidrodinâmica é hoje a mais aceita para explicar a transmissão do estímulo doloroso através da dentina.
Esta teoria estabelece que a sensibilidade dentinária e, portanto, o estímulo doloroso, surge quando há movimento mais amplo, em qualquer direção do fluido tubular dentinário. Este movimento ativa os mecanosreceptores das fibras nervosas pulpares, gerando a transmissão ao sistema nervoso central de um impulso que é instantaneamente percebido com dor.
Com base nesse principio, acredita-se que ocorrendo qualquer diminuição no movimento do fluído dentinário ou mesmo da permeabilidade dentária deve ser a restauração da impermeabilidade original dos túbulos. BRANNSTRON (1979).



Tratamento da hipersensibilidade dentária


Os efeitos benéficos do laser não-cirúrgico no tratamento da sensibilidade dentinária já foram escritos por Benedicenti em 1982. O autor relata o tratamento de vários casos de hipersensibilidade dentinária, tanto de origem traumática pelo preparo protético, como por outra etiologias, como por exemplo, como por exemplo, as sensibilidades provocadas pelas retrações gengivais decorrentes de problemas periodontais. Imediatamente após a utilização do laser não-cirúrgico, há uma diminuição da dor. Esse efeito analgésico foi comprovado em humanos pelo método radiomunológico, observando-se observando-se o aumento de beta-endorfina no líquor cefalorraquidiano depois da irradiação com esse laser. Esse é um método natural de analgesia.. Num segundo momento, as propriedades anti-inflamatórias do laser atuariam, resultando numa preparação pulpar mais eficaz.
Vários lasers foram desenvolvidos proporcionando maior gama de aplicações. Atualmente os lasers não-cirúrgicos mais usados são os de iodo, podendo ter um comprimento de onda variando de 635 nm a 850 nm, com potências mais elevadas, proporcionando m tratamento mais rápido e eficaz.
Esses lasers produzem efeitos fotoquímicos que estão ligados à ação seletiva dos tecidos pela intensidade luminosa que é depositada no tecido, transformando-se em energia vital e produzindo diversas reações bioquímicas.



Mencionamos algumas:


- estimulação e liberação de substâncias pré-formadas, como histamina, seretonina e bradicinina; modificações de reações enzimáticas, tanto no sentido de excitação como inibição; ação de estimulação seletiva nas mitocôndrias celulares com aumento na produção de ATP e aumento na velocidade das mitoses nas células cansadas; aumento da atividade respiratória celular; aumento da microcirculação; reequilíbrio do potencial da membrana celular (ação analgésica); aumento da velocidade e melhora na qualidade de cicatrização. Enfim, são muitos os benefícios que esses lasers trazem aos tecidos.
A bioestimulação por laser nos preparos protéticos, além dos efeitos analgésicos no pós-operatório, incluindo o período de cimentação provisória, o seu efeito anti-inflamatório a posteriori possibilita a indicação de maior número de preparos em dentes vivos, pois o selamento por deposição de dentina secundária que ocorre após o uso dos lasers não-cirúrgicos pode diminuir as ocorrências de problemas pulpares após preparo protético. Isso viabiliza uma conduta mais conservadora do que as estabelecidas.
Devemos contudo considerar que os dentes que não respondem positivamente a essa terapia por duas sessões são sérios candidatos à Endodontia. Em pacientes jovens, adultos e idosos temos respostas terapêuticas diferentes: os jovens respondem mais rápido (média de duas sessões), os adultos a média é de quatro sessões. Isso se deve a capacidade de regeneração do organismo, permeabilidade dentária, diâmetro pulpar, trauma ou desgaste dental fisiológico ou parafuncional.
Em tratamento odontológicos conservadores, a bioestimulação facilita a rápida formação da dentina secundária. Durante e após o tratamento, cirúrgico, limita o uso de antibióticos e anti-inflamatórios, reduz rapidamente o edema pós-cirúrgico, induz a aceleração de processos ósseos reparativos, induz a um menor tempo de cicatrização tornando menor também o tempo de formação do tecido de granulação. O pós-reimplantes dentais estimula a fibrose levando à redução do tempo para mobilização dental. Em cirurgias plásticas, melhora a reparação tecidual.



Resumo


A hipersensibilidade dentinária vem ganhando rapidamente espaço entre os principais problemas clínicos da atualidade. Buscando solucionar esse problema, várias pesquisas objetivando um tratamento realmente eficaz para a hipersensibilidade dentinária vem sendo desenvolvidas.
O laser de baixa intensidade (Soft Laser), de acordo com pesquisas atuais, vem se destacando devido a rapidez, eficácia e conforto ao paciente durante o tratamento.

publicado em: 10/05/2000


 

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